
“Há poema mais bonito
que um gesto de amor?
Até os iletrados
São capazes dessa literatura.”
[...]
Meus pés reconheciam um território novo, delicado, à espera de conquista. Eu, em busca de mim mesmo como queria Sócrates. Eu sendo o que sou, mas diante das possibilidades tornar-me outro, assumir-me com mais plenitude. Eu, ser em estado de vir a ser , como tão bem intuía a metafísica aristotélica. Eu potência de um lugar que ainda não me tornei porque ainda não me ousei a buscar.
[...]A excelência humana só pode ser alcançada através da reflexão. O pensamento é o instrumento condutor da mudança. Por meio dele podemos ver o seu poder de nos retalhar a alma, investigá-la em seus contornos, disfarces e verdades. O pensamento e a reflexão são responsáveis pelas superações q protagonizamos.
No oficio de descrever o sentimento do mundo, Nélida precisou receber retoques, processo natural de quem se deixa levar sem medo nos braços do grande e determinante pedagogo: o tempo. Ele e seu jeito tão próprio de ser e agir, e nós, com nossas atribuições tão específicas. Ele e sua sina de não permanecer, porque só conhece o destino de seguir. Nós e nosso desejo de fixar raízes, de prolongar o gozo do abrigo, da predileção, dos vínculos porque sofremos de uma indigência original que nos foi legada.
Meu querido amigo, o tempo é o invólucro da existência. Tudo o que fazemos e sentimos por ele é perpassado. Grandes medos nascem dessa condição. É natural q seja assim, afinal ele não sabe parar, não sabe retroceder. Lidamos com esse limite, e isso nos assusta, nos amedronta. O amor q sinto e alimento está nas mão do tempo. A criatura amada anda nos trilhos assustadores por onde deslizam os seus vagões pesados.
A mãe acompanha os primeiros passos do filho, mas sabe que essa autonomia será também causa de preocupação presa aos braços ameniza o medo da perda, mas o movimento do tempo expressão concreta em ossos q se desenvolvem, corpo que vai ganhando volume e destreza é imperativo que ordena um novo jeito de cuidar. O tempo se mostra com seu poder de adoção, e a mãe sem ter como negar, entrega-lhe nos braços o filho que até então pensava em proteger por todo sempre. O tempo e seus intervalos, o medo cabe em todos eles. Quando obedecemos ao vermelho do sinal que nos pede parada, imediatamente nos fechamos em nossos carros crentes de que vidros indefesos nos protegerão do medo que sentimos. O menino e seus malabarismos tão cheios de erros não nos encantam ainda que estejam tentando nos fazer sorrir. A roupa de palhaço, a purpurina improvisada, brilho que se mistura com o suor de quem sente a concretude da dureza da vida, filhos que não sabem por onde andam os seios que os amamentaram: meninos e meninas. Eles também estão com medo, temem que não os reconheçamos como artistas que merecem aplauso, moeda de pequeno valor q condensa a metáfora de um reconhecimento temporário, valor que não compra a felicidade esperada, a vitória q nunca chegará. Em pequenos intervalos estão grandes medos.
[...]
Tenho medo de ser hipócrita. Tenho medo de simular uma coragem que não possuo, uma resposta a qual não dê crédito. Medo da palavra que finge caridade, que simula acolhimento, quando na verdade o que existe é total e vergonhosa indiferença. Tenho medo de fingir uma fé que não professo. Realizar um rito que não me envolve, que não me devolve, que não me transforma e que por isso não me oferece aos outros.
Meu amigo, talvez seja por isso que eu ame tanto a poesia. Ela é um lugar especial onde as verdades humanas se mostram sem máscaras. O medo da dor, da solidão, da morte, da perda, tudo está tão a mostra nos manuscritos confessos. O poeta e sua revelação.
A vida crua, real ainda que em palavras. O poeta e sua transfiguração. Nele e a partir dele a humanidades alcança a hermenêutica , como se o fogo da verdade fosse novamente retirado do Olímpo e entregue aos homens. A poesia ameniza o peso dos medos, porque o amor resolveu fazer sua casa nos terrenos da linguagem poética. “Há poema mais bonito q um gesto de amor? Até os iletrados são capazes dessa literatura.”
O amor é o recurso que pode nos libertar dos medos.
Nossa li esse livro e ele é realmente incrivel, me emocionei bastante e também nos faz refletir sobre nossa vida cotidiana mas colocando como foco principal o amor.Eu recomendo a todos que leiam ,vai mudar muito seu modo de pensar !!
ResponderExcluirBy .. Gyannynna Winckler