quarta-feira, 30 de junho de 2010

Definitivo


Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
(Carlos Drummond de Andrade)

terça-feira, 29 de junho de 2010


“Há poema mais bonito
que um gesto de amor?
Até os iletrados
São capazes dessa literatura.”
[...]
Meus pés reconheciam um território novo, delicado, à espera de conquista. Eu, em busca de mim mesmo como queria Sócrates. Eu sendo o que sou, mas diante das possibilidades tornar-me outro, assumir-me com mais plenitude. Eu, ser em estado de vir a ser , como tão bem intuía a metafísica aristotélica. Eu potência de um lugar que ainda não me tornei porque ainda não me ousei a buscar.
[...]A excelência humana só pode ser alcançada através da reflexão. O pensamento é o instrumento condutor da mudança. Por meio dele podemos ver o seu poder de nos retalhar a alma, investigá-la em seus contornos, disfarces e verdades. O pensamento e a reflexão são responsáveis pelas superações q protagonizamos.
No oficio de descrever o sentimento do mundo, Nélida precisou receber retoques, processo natural de quem se deixa levar sem medo nos braços do grande e determinante pedagogo: o tempo. Ele e seu jeito tão próprio de ser e agir, e nós, com nossas atribuições tão específicas. Ele e sua sina de não permanecer, porque só conhece o destino de seguir. Nós e nosso desejo de fixar raízes, de prolongar o gozo do abrigo, da predileção, dos vínculos porque sofremos de uma indigência original que nos foi legada.
Meu querido amigo, o tempo é o invólucro da existência. Tudo o que fazemos e sentimos por ele é perpassado. Grandes medos nascem dessa condição. É natural q seja assim, afinal ele não sabe parar, não sabe retroceder. Lidamos com esse limite, e isso nos assusta, nos amedronta. O amor q sinto e alimento está nas mão do tempo. A criatura amada anda nos trilhos assustadores por onde deslizam os seus vagões pesados.
A mãe acompanha os primeiros passos do filho, mas sabe que essa autonomia será também causa de preocupação presa aos braços ameniza o medo da perda, mas o movimento do tempo expressão concreta em ossos q se desenvolvem, corpo que vai ganhando volume e destreza é imperativo que ordena um novo jeito de cuidar. O tempo se mostra com seu poder de adoção, e a mãe sem ter como negar, entrega-lhe nos braços o filho que até então pensava em proteger por todo sempre. O tempo e seus intervalos, o medo cabe em todos eles. Quando obedecemos ao vermelho do sinal que nos pede parada, imediatamente nos fechamos em nossos carros crentes de que vidros indefesos nos protegerão do medo que sentimos. O menino e seus malabarismos tão cheios de erros não nos encantam ainda que estejam tentando nos fazer sorrir. A roupa de palhaço, a purpurina improvisada, brilho que se mistura com o suor de quem sente a concretude da dureza da vida, filhos que não sabem por onde andam os seios que os amamentaram: meninos e meninas. Eles também estão com medo, temem que não os reconheçamos como artistas que merecem aplauso, moeda de pequeno valor q condensa a metáfora de um reconhecimento temporário, valor que não compra a felicidade esperada, a vitória q nunca chegará. Em pequenos intervalos estão grandes medos.
[...]
Tenho medo de ser hipócrita. Tenho medo de simular uma coragem que não possuo, uma resposta a qual não dê crédito. Medo da palavra que finge caridade, que simula acolhimento, quando na verdade o que existe é total e vergonhosa indiferença. Tenho medo de fingir uma fé que não professo. Realizar um rito que não me envolve, que não me devolve, que não me transforma e que por isso não me oferece aos outros.
Meu amigo, talvez seja por isso que eu ame tanto a poesia. Ela é um lugar especial onde as verdades humanas se mostram sem máscaras. O medo da dor, da solidão, da morte, da perda, tudo está tão a mostra nos manuscritos confessos. O poeta e sua revelação.
A vida crua, real ainda que em palavras. O poeta e sua transfiguração. Nele e a partir dele a humanidades alcança a hermenêutica , como se o fogo da verdade fosse novamente retirado do Olímpo e entregue aos homens. A poesia ameniza o peso dos medos, porque o amor resolveu fazer sua casa nos terrenos da linguagem poética. “Há poema mais bonito q um gesto de amor? Até os iletrados são capazes dessa literatura.”
O amor é o recurso que pode nos libertar dos medos.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Um dos livros mais lindos que li


‘Eu me tornei o que sou hoje, aos doze anos em um dia nublado e gélido do inverno de 1975.’

‘Hassan e eu nascemos na mesma casa, mamamos no mesmo peito, demos nossos primeiros passos na mesma grama do mesmo quintal.’

E sob o mesmo teto dissemos nossas primeiras palavras...’

‘A minha foi baba (pai)...’

‘A dele foi Amir (meu nome)...’

‘Mas éramos duas crianças que tinham aprendido a engatinhar juntas, e não havia história, etnia, sociedade ou religião que pudesse alterar isso...’

‘Afinal de contas eu era pashtun, e ele hazara: eu sunita e ele xiita e nada conseguiria modificar isso. Nada...’

‘Hassan não era capaz de ler nenhum livro de primeira série...’

‘ Mas conseguia me ler com a maior facilidade...’

‘Era assustador... e ao mesmo tempo bom ter alguém que sempre sabe o que você está precisando.’

‘_Você ganhou Amir Agha! Você ganhou!’

‘_Nós ganhamos! Nós ganhamos!’

‘Agora vou apanhar aquela pipa azul pra você.’

‘Largou o carretel e saiu correndo com a borda do chapan verde arrastando na neve atrás de si.’

‘_Hassan! –Gritei.

_Volte com ela!’

‘Ele já estava dobrando a esquina, com as botas de borracha levantando neve do chão. Parou e se virou. Pôs as mão em concha junto a boca.’

‘_Por você, eu faria isso mil vezes!’

‘No inverno de 1975 vi Hassar correr atrás de uma pipa pela ultima vez.’

“Por você eu faria isso mil vezes” era o que tinha prometido. O grande Hassan.

O bom, velho e leal Hassan.

Cumpriu a promessa e pegou aquela pipa pra mim...’

‘Como era corajoso o Hassan, Eu apenas um covarde.’

‘Poderia entrar no beco ir defender Hassan do mesmo jeito que ele me defendeu todas aquelas vezes no passado.’

O que eu temia: Devoção sincera? Porque, mais que qualquer outra coisa isso é o que eu não podia suportar.’

‘Foi aí que descobri como é difícil olhar diretamente nos olhos de uma pessoa como Hassan, essas pessoas dizem sinceramente o que pensam.’

‘Como eu queria voltar no tempo e corrigir meus erros do passado...’

‘ Mas não posso, pois meu erro morreu, e se chamava Hassan.’

‘Queria minha vida de antigamente.’

‘Queria que o Hassan estivesse aqui.’

MUSICA DO DIA


Ninguém = ninguém

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém = ninguém

Me encanta que tanta gente sinta
(se é que sente) a mesma indiferença
Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro

Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase:
Ninguém = ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(a vida seca, os olhos úmidos)
Entre duas pessoas
Entre quatro paredes

Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
Ninguém = ninguém
Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros

O que me encanta é que tanta gente
Sinta (se é que sente) ou
Minta (desesperadamente)
Da mesma forma

São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais...
uns mais iguais...


(Egenheiros do Hawaii)
Composição: Humberto Gessinger

Esperança



Lá bem no alto de décimo segundo andar do Ano Vive uma louca chamada Esperança E ele pensa que quando todas as sirenas Todas as buzinas Todos os recos-recos tocarem Atira-se E _ó delicioso vôo! Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, Outra vez criança... E em torna dela indagará o povo: _Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? E ela lhes dirá (É preciso dizer-lhes tudo de novo!) Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: _O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA! (Mário Quintana)

domingo, 27 de junho de 2010

Começando..


???
Começar é difícil pra caramba, mas é necessário alguma coisa pra dar vida a esse blog.
Viver implica movimento. E não há movimento sem esforço e atrito. A vida é uma dinâmica; vibra serena e sem pressa, embora nunca pare pra esperar quem ignora seu ritimo.